[1] Temos a dupla manifestação da vida, na exterioridade do mundo e no âmbito da interioridade – emoções, afetos. Será que alguém está interessado em investigar relações entre duas manifestações clínicas?  

Num âmbito, há um modo de abordar a clínica acadêmica, em cuja estratégia observamos uma evolução terapêutica racional, lógica causal; e noutro âmbito, da subjetividade e interioridade, a qual acessaríamos pela contemplação, percebendo uma chamada de Deus que excede qualquer elaboração. E que vem com a vida com a qual o Senhor nos presenteia.

Duas miradas clínicas (dois modos de olhar a clínica). Uma, procede com a objetividade, causalidade, linguagem da racionalidade lógica reflexiva, (uma terapia que vem da carne?)        A segunda, “… aguarda o que vem a cada manhã, as misericórdias de Deus”.  Puramente testemunhal.

Seria uma contribuição cristã para a ciência.  Que para Deus nada é impossível. Que se traduz na experiência de salvação.

[2] A Devoção – um momento – instante para contemplar um extra da vida cotidiana.


A realidade na qual vivemos nos excede em todos os lados. Estamos cientes de um pequeno espaço ao nosso redor. Um espaço que fantasiamos como um todo, como totalidade.

Na devoção despertamos com uma força inata para buscar orientação para nossas decisões. Buscas com um temperamento humilde para viver um mundo que nos transborda.

O primeiro hábito a aprender é adquirido na apreendizagem da contemplação nos diferentes cenários que assistimos no cotidiano. Começamos a capturar acontecimentos. Eventos da realidade cotidiana que até esse momento nos passaram sem nos darmos conta. Expomos uma parte sensível de nossa interioridade que recebe o que vem a ela com um apetite vital.

Inerente ao impacto que ocorre na recepção está a emoção visceral de ser amado primeiro (cuidadosamente escolhido). É a força de um sentimento de estar seguro em uma rocha.

Um sentimento que não depende de mim, mas está instalado em mim, e é antes de mim. “Tanto amou Deus ao mundo que ele nos deu seu Filho …”. Enquanto vejo o amanhecer com a enorme força do abraço do “Filho”.

Mas do que o eu autônomo, a recepção ocorre em “minha” subjetividade; é a minha carne que descansa com confiança, como diz o salmo. É minha interioridade que desperta a consciência projetando o sorriso da confirmação.

Assim acontece na devoção que configura a realidade onde vivo com seus excessos que me transbordam por todos os lados. É a sutil preparação do meu Deus, para que prove a  felicidade do seu amor!

*Aprendendo a Naufragar – reflexões psicoteológicas sobre a fragilidade humana e a esperança. Notas desenvolvidas em módulo do Percurso Psicoteológico realizado em 07 março 2022 coordenado por Ageu H Lisboa. *Dr. Carlos José Hernandez, Posadas, Ms Arg., de autor de O lugar do sagrado na terapia. Ed. Nascente / CPPC.                                                       

Interessados em receber informes sobre próximos Percursos Psicoteológicos (de 4 e de 8 encontros) favor contate-nos: (ageuhl@gmail.com).

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